segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Natural

 Tenho tido a impressão de que hoje em dia as coisas são meio forçadas. Tudo tem horário, tudo tem regra. Começa no parto que já é marcado com antecedencia no dia exato e o bebe, sem saber de nada, é retirado bruscamente muitas vezes antes da hora do seu confortável lugar do útero. Depois que nasce a coisa piora, o bebe não pode simplesmente ser bebe, ele tem que ser independente desde o primeiro dia de vida, dormir sozinho, dormir a noite toda, não pedir colo, não chorar. Tem que mamar 10 min em cada seio exatamente a cada 3 horas durante o dia e engordar exatamente 24 gramas por dia nos primeiros meses de vida. Parece que querem um mini robo que corresponda exatamente como dizem as tabelas, sem perceberem que um ser humano não pode ser tabelado. Um recém nascido precisa de muito contato com a mãe, mamar é sua forma de existir e se conectar ao seu universo que é a mãe, vejo como uma grande violencia a forma com que muitas vezes somos ensinados a tratar o bebe, sem respeitar suas necessidade básica de afeto, amor, carinho e alimento. Não digo que sou contra rotina porque o bebe precisa de consistência, de saber o que vem depois, isso o tranquiliza. Mas isso não significa padroniza-lo e esperar que ele aja exatamente como os livros dizem. Cada criança é única, cada bebe tem um ritmo para mamar, uma necessidade maior ou menor de afeto.
  Por muito tempo achei que meu filho havia vindo com defeito de fábrica já que ele não dormia a noite inteira desde o primeiro de vida, não dava intervalo de 3 horas pra mamar e porque requisitava o colo várias vezes (e eu adorava dar, mesmo quando ele não pedia). Demorei pra entender que era normal tudo isso, e que eu estava esperando demais de um simples filhotinho assustado de humano. Poxa, se eu do nada saisse da minha morada, pequena, apertada, escura, barulhenta, pra um lugar onde tudo é claro, barulhento, grande, diferente, eu iria querer ficar pertinho da única pessoa que eu conheço, no caso do bebe, a mãe.
  Hoje em dia é exigido tanto desses filhotinhos, é colocada tanta pressão pra que façam tudo cedo, tudo antes do tempo. Falar cedo, andar cedo, engatinhar cedo, desmamar cedo, dormir sozinho cedo. E o tempo do bebe? Quem disse que tem que sentar aos 6 meses, engatinhar aos 9 e andar com 1 ano? Desmamar exatamente aos 2 anos? por quê? E se a criança fez algo mais tarde que essas datas estipuladas os pais já vão logo se desculpando: "Ele era preguiçoso" "Era mais gordinho..." " andou tarde mas falou bem cedo", etc... E o tempo da criança?
  Eu acredito muito em que na hora certa tudo acontece, penso que além do desenvolvimento físico, a criança precisa ter um amadurecimento emocional para alcançar certos marcos. O que eu acho engraçado é que há uma competição velada entre as mães pra ver qual é o bebe mais "esperto", o que faz tal coisa mais cedo. Como se isso fosse uma prova de inteligencia, o que não é! Você nunca vê alguém comentando assim: "é claro que eu sou mais inteligente que você, eu andei com 10 meses e você só andou com 1 ano e meio!" porque isso não faz a menor diferença, rs. Eu na realidade nem sabia com quanto tempo tinha andado até esses dias, quando fui perguntar pra minha mãe. Eu andei com 1a e 2m e o Jean aos 11m, como isso também tem influencia genética imagino que com 1 ano, 1 ano e pouco Nícolas esteja andando. E se não tiver não terá problema algum, porque isso não fará a menor diferença na vidinha dele hehe.
 Quando meu filho completou 6 meses comecei a sentir na pele o drama dessa competição, todo mundo me perguntando se ele já engatinhava e quando eu dizia que não me olhavam com um olhar de pena e diziam algo como: "mas logo ele engatinha, você vai ver!" ou "mas tem criança que nem engatinha né?". Cheguei a ficar preocupada com o fato de ele não engatinhar até que desencanei: cada criança é única! E pronto, aos 8 meses e meio ele engatinhou lindamente, me segue pela casa e gosta de explorar os cômodos mas ainda não vai muito longe de mim, pois tem medo e se esta em um lugar desconhecido também da uma travadinha básica (ó aí o amadurecimento emocional que eu falei).
  Eu sofri também com o fato de ele dormir comigo (como vocês já sabem), porque tem uma pressão social gigante e até um preconceito com a cama compartilhada, que é vista como algo ruim "aquele bebe ainda dorme com os pais", até chamam os pais de incompetentes por tabela por "não conseguirem ensinar o lugar correto de dormir pros seus filhos". Poxa, comigo nem é uma questao de conseguir, é de não querer mesmo. Eu AMO dormir com meu filho e não tenho ainda como deixar ele dormir longe de mim. Ainda não é natural pra mim ficar longe do meu filho bastante tempo. Com o tempo será, mas por enquanto ainda não é. Dormir longe do meu filho, hoje, é algo antinatural e sofrido que não tem motivos pra eu passar apenas pra ter uma aprovação social. Assim como o peito, ainda oferecido a ele em livre demanda, está longe de sair de nossas vidas. Eu não to pronta, ele não ta pronto. Quando isso vai ser? poxa, não tem como prever.... Não sei quando nós dois estaremos prontos para dormir separados, para cortar o vínculo da amamentação, para passar um fds longe, pra ele dormir na casa da avó. Não sei quando ele estará pronto para largar as fraldas, para andar, para ficar longe de mim mais tempo, pra dormir a noite inteira. O que eu sei é que vou respeitar o tempo do meu filho, que é uma criança normal, saudável e esperta, mesmo que critiquem, que achem ruim, que achem feio. Acho mais feio eu forçar algo que ainda não é natural só pra agradar os outros. Cada criança é única, cada bebe é um universo novo a ser explorado, cada um tem seu tempo, suas peculiaridades, seu apetite, seu sono, seus apegos, manias e coisas intrínsecas que nem a ciência consegue explicar. Mas acima de tudo cada ser humano na Terra é único e merece respeito!
Pra mim, eu respeitar meu filho é respeitar a personalidade dele, ajudando a superar seus defeitos, a melhorar as qualidades, é eu respeitar o tempo dele de fazer cada coisa, sem me importar com a pressão social de que ele seja mais rápido, maduro e melhor em tudo, mesmo que o tempo dele seja maior do que o que o do bebe da vizinha. Pra mim, respeitar o meu filho é entender que ele é um bebe, e vai agir como um bebe e não como um adulto.
Calma genti, sou só um bebe tá?


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